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Colesterol total, HDL, LDL e triglicérides: o que cada número significa e qual é a sua meta

Não existe um 'colesterol normal' único: a meta de LDL depende do seu risco de infarto e AVC nos próximos 10 anos. Este guia mostra as faixas e como o médico define o seu alvo.

Por Equipe Medicol · 19 de out. de 2026

Em resumo

Pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias (SBC): colesterol total desejável abaixo de 190 mg/dL, HDL acima de 40, triglicérides abaixo de 150 com jejum (175 sem jejum). O LDL não tem valor único: a meta é abaixo de 130 para risco baixo, 100 para intermediário, 70 para alto e 50 para muito alto (quem já teve infarto, AVC ou tem diabetes com lesão de órgão). O risco é calculado pelo médico com idade, sexo, pressão, diabetes, tabagismo e histórico familiar. O exame não exige jejum desde 2016.

O que mede
Colesterol total, HDL, LDL (calculado ou medido), não-HDL e triglicérides.
Preparo
Dieta habitual na véspera, sem álcool por 72 h nem exercício intenso por 24 h.
Jejum
Não obrigatório desde 2016; 12 h se o médico pedir ou se triglicérides acima de 440 mg/dL.
Quando fazer
A partir dos 20 anos; a cada 5 anos se normal e baixo risco; anual em tratamento ou risco alto.
Cobertura pelo plano
Rol da ANS, com pedido médico. Prazo de 3 dias úteis.
Metas de LDL-colesterol por categoria de risco cardiovascular
Meta de LDL por risco: 130, 100, 70 ou 50 mg/dL, pela Diretriz Brasileira de Dislipidemias.
Valores de referência variam. As faixas abaixo são as mais usadas em adultos e servem para entender o laudo. Prevalece sempre a referência impressa no seu laudo (método e população do laboratório) e a interpretação do seu médico, que conhece idade, sexo, medicamentos e histórico.

Os valores de referência

FraçãoDesejável (adultos)Observação
Colesterol total< 190 mg/dLpouco útil sozinho; o que importa são as frações
HDL-colesterol ("bom")> 40 mg/dLvalores altos (> 60) são protetores; muito altos nem sempre
LDL-colesterol ("ruim")depende do risco: < 130, 100, 70 ou 50 mg/dLprincipal alvo do tratamento
Não-HDL (total menos HDL)meta = meta de LDL + 30 mg/dLútil quando triglicérides estão altos
Triglicérides< 150 mg/dL (jejum) · < 175 (sem jejum)acima de 500, risco de pancreatite

A meta de LDL depende do seu risco

Categoria de riscoQuem está nela (exemplos)Meta de LDLMeta de não-HDL
Baixorisco calculado < 5% em 10 anos; jovens sem fatores< 130 mg/dL< 160
Intermediáriorisco de 5 a 20% (homens) ou 5 a 10% (mulheres)< 100 mg/dL< 130
Altorisco > 20% (homens) ou > 10% (mulheres); diabetes; aterosclerose em exame de imagem; LDL ≥ 190; doença renal crônica< 70 mg/dL< 100
Muito altoinfarto, AVC, angioplastia ou cirurgia cardíaca prévios; doença arterial periférica< 50 mg/dL< 80

O risco é estimado pelo Escore de Risco Global (versão brasileira do Framingham) com idade, sexo, colesterol total, HDL, pressão sistólica, tratamento de pressão, tabagismo e diabetes. Fatores agravantes (histórico familiar precoce, síndrome metabólica, doenças inflamatórias, PCR ultrassensível alta, escore de cálcio coronariano) podem subir a categoria. É por isso que o mesmo LDL de 120 é "ótimo" para uma pessoa e "alto demais" para outra.

Triglicérides

Sobem com açúcar e álcool mais do que com gordura, com sobrepeso, diabetes descontrolado, hipotireoidismo e alguns medicamentos. Entre 150 e 499 mg/dL, o tratamento é mudança de hábito e controle das causas; acima de 500, há risco de pancreatite e o médico trata com remédio. Triglicérides muito altos tornam o cálculo do LDL impreciso; o laboratório mede o LDL direto ou o médico usa o não-HDL.

Jejum: a regra atual

Desde o consenso brasileiro de 2016, o perfil lipídico pode ser colhido sem jejum: a alimentação habitual altera pouco o colesterol e reflete melhor o estado real das gorduras no sangue ao longo do dia. O laboratório registra o tempo de jejum no laudo. O médico pode pedir 12 horas quando os triglicérides vieram acima de 440 mg/dL ou para comparar com exames antigos.

Quando fazer

  • Primeira dosagem aos 20 anos (ou na infância, aos 10, se houver histórico familiar de colesterol muito alto ou infarto precoce).
  • Normal e risco baixo: repetir a cada 5 anos.
  • Alterado, risco intermediário ou alto, ou em tratamento: anual, ou 6 a 12 semanas após mudar medicação.

O que fazer com o resultado

  1. Peça ao médico o cálculo do risco: o número do LDL sozinho não decide nada.
  2. Em risco baixo com LDL moderadamente alto, a primeira medida é hábito: menos gordura saturada e ultraprocessados, mais fibras, atividade física, parar de fumar. Reavaliar em 3 a 6 meses.
  3. Em risco alto ou muito alto, ou com LDL ≥ 190, a estatina costuma entrar desde o início, com meta definida.
  4. LDL acima de 190 em adulto jovem, ou acima de 160 em criança, pede investigação de hipercolesterolemia familiar, que é genética e exige tratamento cedo.

Perguntas frequentes

Colesterol total de 210: preciso tomar remédio?

Não dá para responder com esse número. Depende do LDL, do HDL e do seu risco calculado. Uma pessoa jovem, sem outros fatores, com HDL alto, pode ter colesterol total de 210 e risco baixo; outra, com diabetes, precisa de LDL abaixo de 70 independentemente do total.

HDL alto compensa LDL alto?

Em parte, entra no cálculo de risco, mas não anula um LDL muito alto. As diretrizes atuais tratam o LDL como alvo principal e o HDL como fator de risco, não como 'crédito'.

Comi na véspera: o exame vale?

Vale. A refeição habitual altera pouco o colesterol total, HDL e LDL; os triglicérides sobem de forma moderada e as faixas sem jejum já consideram isso (175 mg/dL). O laudo registra o tempo de jejum.

Fontes

  1. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (SBC) · Sociedade Brasileira de Cardiologia
  2. Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico (jejum não obrigatório) · SBPC/ML, SBC, SBAC, SBD, SBEM
  3. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes · Diagnóstico · SBD