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Mamografia: quando começar, de quanto em quanto tempo e como ler o BI-RADS

É o único rastreamento que comprovadamente reduz a mortalidade por câncer de mama. A divergência sobre a idade de início não muda o essencial: na faixa recomendada, fazer regularmente salva vidas.

Por Equipe Medicol · 19 de out. de 2026

Em resumo

Para mulheres sem risco aumentado, o Ministério da Saúde recomenda mamografia dos 50 aos 69 anos, a cada 2 anos; a Sociedade Brasileira de Mastologia, a Febrasgo e o Colégio Brasileiro de Radiologia recomendam anual a partir dos 40, idade a partir da qual o plano de saúde cobre o rastreio. O laudo usa a classificação BI-RADS: 1 e 2 são normais ou benignos (repetir na rotina), 3 é provavelmente benigno (controle em 6 meses), 4 e 5 pedem biópsia, 0 pede exames adicionais. Mamas densas reduzem a sensibilidade e podem exigir ultrassom complementar. Mulheres com mutação BRCA ou histórico familiar forte começam mais cedo, com ressonância.

O que mede
Imagem radiográfica das mamas para detectar nódulos, microcalcificações e distorções antes de serem palpáveis.
Preparo
Sem desodorante, talco ou creme nas axilas e mamas no dia; levar exames anteriores; marcar após a menstruação.
Jejum
Não é necessário.
Quando fazer
50 a 69 anos a cada 2 anos (Ministério da Saúde); anual a partir dos 40 (SBM, Febrasgo, CBR). Mais cedo com risco elevado.
Cobertura pelo plano
Rol da ANS: rastreamento coberto a partir dos 40 anos; em qualquer idade com indicação clínica. Prazo de 10 dias úteis.

Quando começar e com que frequência

RecomendaçãoIdadeIntervalo
Ministério da Saúde / INCA50 a 69 anosa cada 2 anos
SBM, Febrasgo, CBRa partir dos 40 (até os 74, ou enquanto houver saúde para tratar)anual
Risco elevado (BRCA, radioterapia de tórax antes dos 30, parentes de primeiro grau com câncer precoce)a partir dos 30, ou 10 anos antes do caso mais jovemanual, com ressonância

A divergência entre 40 e 50 anos vem do equilíbrio entre benefício e dano nessa faixa: o câncer é menos frequente e as mamas mais densas, o que aumenta falsos positivos e biópsias desnecessárias. Não há resposta única; o importante é decidir com o médico e, decidido, manter a regularidade.

Como é o exame

Cada mama é comprimida entre duas placas por alguns segundos, em duas incidências. A compressão incomoda, mas é o que permite ver estruturas pequenas com menos radiação. Dura cerca de 15 minutos. A dose de radiação é baixa, comparável a semanas de exposição natural. A mamografia digital é o padrão; a tomossíntese (mamografia 3D) melhora a detecção em mamas densas e reduz reconvocações.

Como ler o laudo: BI-RADS

CategoriaSignificadoConduta
BI-RADS 0inconclusivo; precisa de exame adicional (compressão localizada, ultrassom, comparação com anteriores)completar a avaliação
BI-RADS 1normalrotina
BI-RADS 2achado benigno (cisto simples, calcificação típica, linfonodo)rotina
BI-RADS 3provavelmente benigno (risco de câncer menor que 2%)controle em 6 meses, depois anual por 2 anos
BI-RADS 4suspeito (4A baixa, 4B moderada, 4C alta suspeita)biópsia
BI-RADS 5altamente suspeito (acima de 95%)biópsia e planejamento
BI-RADS 6câncer já confirmado por biópsiatratamento

BI-RADS 0 e 3 assustam, mas são comuns e na maioria das vezes terminam em resultado benigno. BI-RADS 4 inclui lesões de baixa suspeita; a biópsia é por agulha, ambulatorial, e boa parte resulta benigna.

Densidade mamária

O laudo descreve a composição da mama em quatro categorias, de predominantemente adiposa (A) a extremamente densa (D). Mamas densas são normais e comuns em mulheres jovens, mas o tecido denso aparece branco na mamografia, assim como os nódulos, o que reduz a sensibilidade do exame. Em categorias C e D, o médico pode complementar com ultrassom e, em risco alto, com ressonância. Densidade alta também é, em si, um fator de risco discreto.

Outros exames da mama

  • Ultrassom: complementa a mamografia em mamas densas e caracteriza nódulos (cisto ou sólido). Não substitui a mamografia no rastreio, porque não vê microcalcificações.
  • Ressonância: rastreio anual em risco muito alto; avaliação de extensão de tumores; não é exame de rotina.
  • Exame clínico pelo médico e conhecimento das próprias mamas: procurar atendimento diante de nódulo, retração da pele ou do mamilo, secreção espontânea, vermelhidão ou dor persistente localizada.

Cobertura e prazo

O rol da ANS cobre mamografia de rastreamento a partir dos 40 anos, e em qualquer idade com indicação clínica, com prazo máximo de 10 dias úteis para a marcação. Tomossíntese e ressonância têm diretrizes próprias. O SUS oferece mamografia pelas unidades básicas, na faixa de 50 a 69 anos e, com indicação, fora dela. Veja o guia de cobertura.

Perguntas frequentes

Tenho 42 anos e o plano negou a mamografia de rotina. Pode?

Não deveria: a diretriz de utilização do rol da ANS prevê mamografia de rastreamento a partir dos 40 anos. Peça a negativa por escrito e registre reclamação na ANS (0800 701 9656). Com pedido médico, a cobertura é obrigatória.

Prótese de silicone impede a mamografia?

Não. São feitas incidências adicionais com manobra de deslocamento da prótese. Avise na marcação. Ultrassom e ressonância podem complementar.

Mamografia dói?

Incomoda durante a compressão, por segundos. Marcar na semana após a menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis, e evitar cafeína nos dias anteriores ajuda. O desconforto não justifica deixar de fazer.

BI-RADS 3: devo me preocupar?

É um achado provavelmente benigno, com chance de câncer abaixo de 2%. A conduta é controle em 6 meses para confirmar estabilidade, sem biópsia. Siga o intervalo pedido e leve os exames anteriores.

Fontes

  1. Ministério da Saúde · Rastreamento de cânceres (INCA) · INCA / Ministério da Saúde
  2. Sociedade Brasileira de Mastologia · Recomendações de rastreamento · SBM
  3. Febrasgo · Rastreamento do câncer de mama · Febrasgo
  4. Colégio Brasileiro de Radiologia · Rastreamento do câncer de mama · CBR
  5. ANS · O que o seu plano de saúde deve cobrir (rol) · gov.br/ans