Em resumo
Para mulheres sem risco aumentado, o Ministério da Saúde recomenda mamografia dos 50 aos 69 anos, a cada 2 anos; a Sociedade Brasileira de Mastologia, a Febrasgo e o Colégio Brasileiro de Radiologia recomendam anual a partir dos 40, idade a partir da qual o plano de saúde cobre o rastreio. O laudo usa a classificação BI-RADS: 1 e 2 são normais ou benignos (repetir na rotina), 3 é provavelmente benigno (controle em 6 meses), 4 e 5 pedem biópsia, 0 pede exames adicionais. Mamas densas reduzem a sensibilidade e podem exigir ultrassom complementar. Mulheres com mutação BRCA ou histórico familiar forte começam mais cedo, com ressonância.
- O que mede
- Imagem radiográfica das mamas para detectar nódulos, microcalcificações e distorções antes de serem palpáveis.
- Preparo
- Sem desodorante, talco ou creme nas axilas e mamas no dia; levar exames anteriores; marcar após a menstruação.
- Jejum
- Não é necessário.
- Quando fazer
- 50 a 69 anos a cada 2 anos (Ministério da Saúde); anual a partir dos 40 (SBM, Febrasgo, CBR). Mais cedo com risco elevado.
- Cobertura pelo plano
- Rol da ANS: rastreamento coberto a partir dos 40 anos; em qualquer idade com indicação clínica. Prazo de 10 dias úteis.
Quando começar e com que frequência
| Recomendação | Idade | Intervalo |
|---|---|---|
| Ministério da Saúde / INCA | 50 a 69 anos | a cada 2 anos |
| SBM, Febrasgo, CBR | a partir dos 40 (até os 74, ou enquanto houver saúde para tratar) | anual |
| Risco elevado (BRCA, radioterapia de tórax antes dos 30, parentes de primeiro grau com câncer precoce) | a partir dos 30, ou 10 anos antes do caso mais jovem | anual, com ressonância |
A divergência entre 40 e 50 anos vem do equilíbrio entre benefício e dano nessa faixa: o câncer é menos frequente e as mamas mais densas, o que aumenta falsos positivos e biópsias desnecessárias. Não há resposta única; o importante é decidir com o médico e, decidido, manter a regularidade.
Como é o exame
Cada mama é comprimida entre duas placas por alguns segundos, em duas incidências. A compressão incomoda, mas é o que permite ver estruturas pequenas com menos radiação. Dura cerca de 15 minutos. A dose de radiação é baixa, comparável a semanas de exposição natural. A mamografia digital é o padrão; a tomossíntese (mamografia 3D) melhora a detecção em mamas densas e reduz reconvocações.
Como ler o laudo: BI-RADS
| Categoria | Significado | Conduta |
|---|---|---|
| BI-RADS 0 | inconclusivo; precisa de exame adicional (compressão localizada, ultrassom, comparação com anteriores) | completar a avaliação |
| BI-RADS 1 | normal | rotina |
| BI-RADS 2 | achado benigno (cisto simples, calcificação típica, linfonodo) | rotina |
| BI-RADS 3 | provavelmente benigno (risco de câncer menor que 2%) | controle em 6 meses, depois anual por 2 anos |
| BI-RADS 4 | suspeito (4A baixa, 4B moderada, 4C alta suspeita) | biópsia |
| BI-RADS 5 | altamente suspeito (acima de 95%) | biópsia e planejamento |
| BI-RADS 6 | câncer já confirmado por biópsia | tratamento |
BI-RADS 0 e 3 assustam, mas são comuns e na maioria das vezes terminam em resultado benigno. BI-RADS 4 inclui lesões de baixa suspeita; a biópsia é por agulha, ambulatorial, e boa parte resulta benigna.
Densidade mamária
O laudo descreve a composição da mama em quatro categorias, de predominantemente adiposa (A) a extremamente densa (D). Mamas densas são normais e comuns em mulheres jovens, mas o tecido denso aparece branco na mamografia, assim como os nódulos, o que reduz a sensibilidade do exame. Em categorias C e D, o médico pode complementar com ultrassom e, em risco alto, com ressonância. Densidade alta também é, em si, um fator de risco discreto.
Outros exames da mama
- Ultrassom: complementa a mamografia em mamas densas e caracteriza nódulos (cisto ou sólido). Não substitui a mamografia no rastreio, porque não vê microcalcificações.
- Ressonância: rastreio anual em risco muito alto; avaliação de extensão de tumores; não é exame de rotina.
- Exame clínico pelo médico e conhecimento das próprias mamas: procurar atendimento diante de nódulo, retração da pele ou do mamilo, secreção espontânea, vermelhidão ou dor persistente localizada.
Cobertura e prazo
O rol da ANS cobre mamografia de rastreamento a partir dos 40 anos, e em qualquer idade com indicação clínica, com prazo máximo de 10 dias úteis para a marcação. Tomossíntese e ressonância têm diretrizes próprias. O SUS oferece mamografia pelas unidades básicas, na faixa de 50 a 69 anos e, com indicação, fora dela. Veja o guia de cobertura.
Perguntas frequentes
Tenho 42 anos e o plano negou a mamografia de rotina. Pode?
Não deveria: a diretriz de utilização do rol da ANS prevê mamografia de rastreamento a partir dos 40 anos. Peça a negativa por escrito e registre reclamação na ANS (0800 701 9656). Com pedido médico, a cobertura é obrigatória.
Prótese de silicone impede a mamografia?
Não. São feitas incidências adicionais com manobra de deslocamento da prótese. Avise na marcação. Ultrassom e ressonância podem complementar.
Mamografia dói?
Incomoda durante a compressão, por segundos. Marcar na semana após a menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis, e evitar cafeína nos dias anteriores ajuda. O desconforto não justifica deixar de fazer.
BI-RADS 3: devo me preocupar?
É um achado provavelmente benigno, com chance de câncer abaixo de 2%. A conduta é controle em 6 meses para confirmar estabilidade, sem biópsia. Siga o intervalo pedido e leve os exames anteriores.
Fontes
- Ministério da Saúde · Rastreamento de cânceres (INCA) · INCA / Ministério da Saúde
- Sociedade Brasileira de Mastologia · Recomendações de rastreamento · SBM
- Febrasgo · Rastreamento do câncer de mama · Febrasgo
- Colégio Brasileiro de Radiologia · Rastreamento do câncer de mama · CBR
- ANS · O que o seu plano de saúde deve cobrir (rol) · gov.br/ans
