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Guia de referência

Rastreamento de câncer: mama, colo do útero, intestino, próstata, pulmão e pele

Rastrear é procurar câncer em quem não tem sintoma, porque achar cedo muda o tratamento. Só vale para alguns tipos, em idades definidas. Para os outros, o que protege é atenção aos sinais.

Por Equipe Medicol · 19 de out. de 2026

Em resumo

Rastreamentos com evidência no Brasil: mamografia (50 a 69 anos a cada 2 anos pelo Ministério da Saúde; anual a partir dos 40 pelas sociedades de mastologia, ginecologia e radiologia); citopatológico do colo do útero (25 a 64 anos, a cada 3 anos após dois exames anuais normais); câncer colorretal (50 a 75 anos, sangue oculto anual ou colonoscopia a cada 10 anos; 45 em recomendações recentes); próstata (PSA e toque a partir dos 50, ou 45 com risco, por decisão compartilhada; o MS não recomenda rastreio populacional); pulmão (tomografia de baixa dose anual em fumantes e ex-fumantes de 50 a 80 anos com 20 maços-ano); pele (exame clínico em quem tem risco). Histórico familiar antecipa as idades.

Mama

O exame é a mamografia. O Ministério da Saúde e o INCA recomendam para mulheres de 50 a 69 anos, a cada 2 anos. A Sociedade Brasileira de Mastologia, a Febrasgo e o Colégio Brasileiro de Radiologia recomendam anual a partir dos 40, e o rol da ANS garante a cobertura a partir dessa idade. Mulheres com mãe, irmã ou filha com câncer de mama antes dos 50, ou com mutação BRCA, começam mais cedo e podem precisar de ressonância. Autoexame não substitui mamografia; o que se recomenda é conhecer as próprias mamas e procurar o médico diante de nódulo, retração ou secreção.

Colo do útero

O exame citopatológico (Papanicolau) é indicado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual: dois exames anuais e, se ambos normais, a cada 3 anos. A vacina contra HPV (meninas e meninos de 9 a 14 anos no SUS) reduz o risco, mas não dispensa o rastreio. O teste de HPV por biologia molecular, mais sensível, vem sendo incorporado e permite intervalos de 5 anos quando negativo.

Intestino (colorretal)

Dois caminhos equivalentes para quem não tem sintoma nem histórico: pesquisa de sangue oculto nas fezes (método imunoquímico) todo ano, ou colonoscopia a cada 10 anos. Faixa etária: 50 a 75 anos pelo Ministério da Saúde; sociedades brasileiras e americanas passaram a recomendar início aos 45. Quem tem parente de primeiro grau com câncer colorretal começa aos 40, ou 10 anos antes da idade do diagnóstico do parente, com colonoscopia. Sangue oculto positivo leva à colonoscopia.

Próstata

É o rastreio com mais divergência. O Ministério da Saúde não recomenda rastreamento populacional com PSA, pelo risco de diagnosticar e tratar tumores que nunca causariam problema. A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda PSA e toque retal a partir dos 50 anos, ou dos 45 para homens negros e com pai ou irmão com câncer de próstata, após conversa sobre benefícios e riscos. A decisão é individual: informe-se e decida com o médico. Sintomas urinários sempre justificam avaliação, independentemente da idade.

Pulmão

Para quem fuma ou parou há menos de 15 anos, com carga de 20 maços-ano (1 maço por dia por 20 anos, ou 2 por 10) e idade entre 50 e 80 anos: tomografia de tórax de baixa dose anual. Raio-X de tórax não serve como rastreio. Parar de fumar reduz mais o risco do que qualquer exame.

Pele

Não há rastreamento populacional com evidência forte, mas exame clínico da pele por dermatologista é recomendado para quem tem pele clara, muitas pintas, histórico de queimaduras solares ou melanoma na família. Regra ABCDE para pintas: Assimetria, Borda irregular, Cor variada, Diâmetro acima de 6 mm, Evolução (mudou). Qualquer um desses pede consulta.

Outros tipos

Não existe rastreio com benefício comprovado, em pessoas sem sintoma e sem risco especial, para câncer de ovário, pâncreas, tireoide, estômago, rim, bexiga ou fígado. Marcadores tumorais no sangue (CA-125, CA 19-9, CEA, AFP) não servem como rastreio: dão muitos falsos positivos e negativos. Exceções com risco: ultrassom de fígado em quem tem cirrose ou hepatite B crônica; endoscopia em quem tem Barrett ou histórico familiar de câncer gástrico; avaliação genética em famílias com muitos casos.

Resumo por idade e sexo

RastreioMulheresHomensIntervalo
Colo do útero25 a 64–3 anos (após 2 anuais normais)
Mama50 a 69 (MS) · 40+ (sociedades)–2 anos (MS) · anual (sociedades)
Colorretal50 (ou 45) a 7550 (ou 45) a 75sangue oculto anual · colonoscopia 10 anos
Próstata–50+ (45 com risco), decisão compartilhada1 a 2 anos
Pulmão (fumantes 20 maços-ano)50 a 8050 a 80anual
Cobertura. Todos esses exames estão no rol da ANS, com diretrizes de utilização por idade e risco. Com pedido médico, o plano cobre e tem prazo de 10 dias úteis para marcar exames de imagem e endoscópicos. Veja o guia de cobertura.

Perguntas frequentes

Rastreamento garante que o câncer será achado?

Não. Todo rastreio tem falsos negativos (não achou o que existia) e falsos positivos (achou algo que não era câncer). Ele reduz a chance de morrer da doença na população que o faz na idade certa; não é garantia individual. Sintoma novo entre dois exames sempre pede avaliação.

Por que o Ministério da Saúde não recomenda PSA para todos?

Porque os estudos mostram que, para cada morte evitada, muitos homens são diagnosticados e tratados de tumores que nunca causariam dano, com efeitos colaterais como incontinência e impotência. A decisão passa a ser individual, informada, e não uma regra para todos.

Tenho histórico familiar. O que muda?

Em geral, o rastreio começa 10 anos antes da idade em que o parente de primeiro grau foi diagnosticado, ou na idade mínima da recomendação, o que vier primeiro, e às vezes com exame mais sensível (colonoscopia em vez de sangue oculto; ressonância de mama além da mamografia). Avaliação genética pode ser indicada quando há vários casos.

Fontes

  1. Ministério da Saúde · Rastreamento de cânceres (INCA) · INCA / Ministério da Saúde
  2. INCA · Detecção precoce · Instituto Nacional de Câncer
  3. Sociedade Brasileira de Mastologia · Recomendações de rastreamento · SBM
  4. Febrasgo · Rastreamento do câncer de mama · Febrasgo
  5. Sociedade Brasileira de Urologia · Câncer de próstata e PSA · SBU
  6. ANS · O que o seu plano de saúde deve cobrir (rol) · gov.br/ans