Exames e prevenção, explicadosConteúdo informativo · não substitui consulta médica
Medicol

Exame

Vitamina D: o que o exame mede, quem deve dosar e o que é deficiência

Virou exame de rotina sem ser recomendado como rotina. As sociedades brasileiras definem quem deve dosar e qual valor é suficiente, e a resposta é menos 'deficiente' do que os laudos sugerem.

Por Equipe Medicol · 19 de out. de 2026

Em resumo

Pelo posicionamento conjunto da SBPC/ML e da SBEM, acima de 20 ng/mL é suficiente para a população geral saudável. Para grupos de risco (idosos, osteoporose, quedas, gestantes, doença renal, má absorção, uso de corticoide, obesidade cirúrgica), o alvo é 30 a 60 ng/mL. Abaixo de 20 é deficiência; acima de 100 há risco de toxicidade. A dosagem não é recomendada como rotina para quem não tem fator de risco, e a reposição sem indicação não previne doença cardiovascular, câncer nem infecções, segundo os grandes estudos.

O que mede
25-hidroxivitamina D no sangue, a forma de reserva da vitamina.
Preparo
Nenhum.
Jejum
Não é necessário.
Quando fazer
Não recomendado como rotina para a população geral. Indicado em grupos de risco; repetir 3 a 4 meses após iniciar reposição.
Cobertura pelo plano
Rol da ANS com diretriz de utilização: cobertura obrigatória nos grupos de risco (osteoporose, doença renal, má absorção, idosos com quedas, uso de corticoide, entre outros).
Valores de referência variam. As faixas abaixo são as mais usadas em adultos e servem para entender o laudo. Prevalece sempre a referência impressa no seu laudo (método e população do laboratório) e a interpretação do seu médico, que conhece idade, sexo, medicamentos e histórico.

Como ler o resultado

25-OH vitamina DPopulação geral saudávelGrupos de risco
< 20 ng/mL (< 50 nmol/L)deficiência: repordeficiência: repor
20 a 29 ng/mLsuficienteabaixo do alvo: repor
30 a 60 ng/mLsuficiente (sem benefício extra)alvo
61 a 100 ng/mLacima do necessário; rever doseacima do alvo; rever dose
> 100 ng/mLrisco de toxicidade (hipercalcemia, pedras nos rins): suspender e avaliar

Atenção às unidades: ng/mL × 2,5 = nmol/L. Um laudo em nmol/L mostrando 60 corresponde a 24 ng/mL.

Quem deve dosar

A dosagem é indicada quando o resultado muda a conduta, ou seja, em quem tem risco de deficiência com consequência: idosos (sobretudo com histórico de quedas ou institucionalizados), osteoporose ou osteopenia, fraturas por fragilidade, gestantes e lactantes, doença renal crônica, insuficiência hepática, síndromes de má absorção (celíaca, Crohn, cirurgia bariátrica), uso de corticoides, anticonvulsivantes ou antirretrovirais, obesidade, pessoas que não se expõem ao sol ou usam roupas que cobrem toda a pele, pele muito escura em regiões com pouco sol, hiperparatireoidismo, e crianças com raquitismo. Para adultos saudáveis fora desses grupos, a recomendação das sociedades é não dosar.

Por que o laudo pode dizer "insuficiência" e o médico, "normal"

Alguns laboratórios ainda imprimem a faixa de 30 a 100 ng/mL para todos, o que classifica como "insuficiente" uma pessoa saudável com 25 ng/mL. A posição brasileira desde 2017, alinhada à americana (Endocrine Society, 2024), é que 20 ng/mL basta para quem não tem risco. O médico interpreta com a faixa certa para o seu caso, não com a do rodapé do laudo.

Sol, alimentação e suplemento

  • A maior fonte é a pele exposta ao sol: 15 a 20 minutos de braços e pernas, algumas vezes por semana, fora do horário de pico, produzem o suficiente na maior parte do Brasil. Protetor solar reduz a produção, mas não a zera, e não deve ser abandonado.
  • Alimentos têm pouca: peixes gordos (sardinha, salmão), gema de ovo, leite e cereais fortificados.
  • Reposição, quando indicada, é feita com colecalciferol (vitamina D3), em dose diária ou semanal, com reavaliação em 3 a 4 meses. Doses muito altas "de ataque" sem acompanhamento aumentam o risco de toxicidade.
  • Cálcio e vitamina D juntos fazem sentido em osteoporose; sozinhos, em pessoas sem deficiência, não reduzem fraturas.

O que a vitamina D não faz

Os grandes estudos randomizados (VITAL, D-Health, entre outros) não mostraram que suplementar vitamina D em pessoas sem deficiência previna infarto, AVC, câncer, depressão, infecções respiratórias ou morte. O benefício comprovado é ósseo e muscular em quem tem deficiência ou risco. Suplementar "por garantia" é gasto sem retorno e, em dose alta, risco.

Perguntas frequentes

Deu 22 ng/mL. Preciso tomar vitamina D?

Se você não está em grupo de risco, 22 é suficiente pelas diretrizes brasileiras e não precisa de reposição. Se está (osteoporose, idade avançada com quedas, gestação, doença renal etc.), o alvo é 30 ou mais e a reposição é indicada. A decisão é do médico com base no seu perfil, não no asterisco.

Vitamina D alta faz mal?

Acima de 100 ng/mL, sim: pode elevar o cálcio no sangue, causar náusea, fraqueza, pedras nos rins e dano renal. Isso só acontece com suplementação em dose alta; sol e alimentação não levam a toxicidade.

O plano cobre o exame?

Cobre com pedido médico quando a diretriz de utilização do rol é atendida: grupos de risco como os listados nesta página. Fora deles, a operadora pode negar o exame de rotina.

Fontes

  1. SBPC/ML e SBEM · Posicionamento oficial: intervalos de referência da vitamina D (25-OH D) · 2017
  2. Endocrine Society · Vitamin D for the Prevention of Disease (2024 guideline) · 2024
  3. ANS · O que o seu plano de saúde deve cobrir (rol) · gov.br/ans