Em resumo
Pelo posicionamento conjunto da SBPC/ML e da SBEM, acima de 20 ng/mL é suficiente para a população geral saudável. Para grupos de risco (idosos, osteoporose, quedas, gestantes, doença renal, má absorção, uso de corticoide, obesidade cirúrgica), o alvo é 30 a 60 ng/mL. Abaixo de 20 é deficiência; acima de 100 há risco de toxicidade. A dosagem não é recomendada como rotina para quem não tem fator de risco, e a reposição sem indicação não previne doença cardiovascular, câncer nem infecções, segundo os grandes estudos.
- O que mede
- 25-hidroxivitamina D no sangue, a forma de reserva da vitamina.
- Preparo
- Nenhum.
- Jejum
- Não é necessário.
- Quando fazer
- Não recomendado como rotina para a população geral. Indicado em grupos de risco; repetir 3 a 4 meses após iniciar reposição.
- Cobertura pelo plano
- Rol da ANS com diretriz de utilização: cobertura obrigatória nos grupos de risco (osteoporose, doença renal, má absorção, idosos com quedas, uso de corticoide, entre outros).
Como ler o resultado
| 25-OH vitamina D | População geral saudável | Grupos de risco |
|---|---|---|
| < 20 ng/mL (< 50 nmol/L) | deficiência: repor | deficiência: repor |
| 20 a 29 ng/mL | suficiente | abaixo do alvo: repor |
| 30 a 60 ng/mL | suficiente (sem benefício extra) | alvo |
| 61 a 100 ng/mL | acima do necessário; rever dose | acima do alvo; rever dose |
| > 100 ng/mL | risco de toxicidade (hipercalcemia, pedras nos rins): suspender e avaliar | |
Atenção às unidades: ng/mL × 2,5 = nmol/L. Um laudo em nmol/L mostrando 60 corresponde a 24 ng/mL.
Quem deve dosar
A dosagem é indicada quando o resultado muda a conduta, ou seja, em quem tem risco de deficiência com consequência: idosos (sobretudo com histórico de quedas ou institucionalizados), osteoporose ou osteopenia, fraturas por fragilidade, gestantes e lactantes, doença renal crônica, insuficiência hepática, síndromes de má absorção (celíaca, Crohn, cirurgia bariátrica), uso de corticoides, anticonvulsivantes ou antirretrovirais, obesidade, pessoas que não se expõem ao sol ou usam roupas que cobrem toda a pele, pele muito escura em regiões com pouco sol, hiperparatireoidismo, e crianças com raquitismo. Para adultos saudáveis fora desses grupos, a recomendação das sociedades é não dosar.
Por que o laudo pode dizer "insuficiência" e o médico, "normal"
Alguns laboratórios ainda imprimem a faixa de 30 a 100 ng/mL para todos, o que classifica como "insuficiente" uma pessoa saudável com 25 ng/mL. A posição brasileira desde 2017, alinhada à americana (Endocrine Society, 2024), é que 20 ng/mL basta para quem não tem risco. O médico interpreta com a faixa certa para o seu caso, não com a do rodapé do laudo.
Sol, alimentação e suplemento
- A maior fonte é a pele exposta ao sol: 15 a 20 minutos de braços e pernas, algumas vezes por semana, fora do horário de pico, produzem o suficiente na maior parte do Brasil. Protetor solar reduz a produção, mas não a zera, e não deve ser abandonado.
- Alimentos têm pouca: peixes gordos (sardinha, salmão), gema de ovo, leite e cereais fortificados.
- Reposição, quando indicada, é feita com colecalciferol (vitamina D3), em dose diária ou semanal, com reavaliação em 3 a 4 meses. Doses muito altas "de ataque" sem acompanhamento aumentam o risco de toxicidade.
- Cálcio e vitamina D juntos fazem sentido em osteoporose; sozinhos, em pessoas sem deficiência, não reduzem fraturas.
O que a vitamina D não faz
Os grandes estudos randomizados (VITAL, D-Health, entre outros) não mostraram que suplementar vitamina D em pessoas sem deficiência previna infarto, AVC, câncer, depressão, infecções respiratórias ou morte. O benefício comprovado é ósseo e muscular em quem tem deficiência ou risco. Suplementar "por garantia" é gasto sem retorno e, em dose alta, risco.
Perguntas frequentes
Deu 22 ng/mL. Preciso tomar vitamina D?
Se você não está em grupo de risco, 22 é suficiente pelas diretrizes brasileiras e não precisa de reposição. Se está (osteoporose, idade avançada com quedas, gestação, doença renal etc.), o alvo é 30 ou mais e a reposição é indicada. A decisão é do médico com base no seu perfil, não no asterisco.
Vitamina D alta faz mal?
Acima de 100 ng/mL, sim: pode elevar o cálcio no sangue, causar náusea, fraqueza, pedras nos rins e dano renal. Isso só acontece com suplementação em dose alta; sol e alimentação não levam a toxicidade.
O plano cobre o exame?
Cobre com pedido médico quando a diretriz de utilização do rol é atendida: grupos de risco como os listados nesta página. Fora deles, a operadora pode negar o exame de rotina.
