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Guia de referência

Exames de sangue de rotina: o que cada um mede e para que serve

Os mesmos dez exames aparecem em quase todo pedido de rotina. Saber o que cada um mede ajuda a entender o laudo e a conversar melhor com o médico.

Por Equipe Medicol · 19 de out. de 2026

Em resumo

Os exames de sangue mais pedidos em rotina avaliam cinco coisas: células do sangue (hemograma), açúcar (glicemia e hemoglobina glicada), gorduras (colesterol total, HDL, LDL e triglicérides), órgãos (creatinina e ureia para os rins; TGO, TGP e GGT para o fígado; TSH para a tireoide) e nutrientes (ferritina, vitamina B12, vitamina D). Nenhum deles fecha diagnóstico sozinho; cada um tem página própria neste site com valores de referência e interpretação.

Células do sangue

Hemograma
Conta e descreve hemácias (anemia, policitemia), leucócitos (infecção, inflamação, doenças da medula) e plaquetas (coagulação). É o exame mais pedido do mundo e o mais mal interpretado: pequenas variações são comuns.

Açúcar e metabolismo

Glicemia de jejum
Açúcar no sangue naquele momento. Rastreio de diabetes a partir dos 45 anos, ou antes com risco.
Hemoglobina glicada (HbA1c)
Média do açúcar dos últimos 2 a 3 meses. Diagnóstico e acompanhamento de diabetes; não precisa de jejum.
Insulina de jejum e HOMA-IR
Estimam resistência à insulina. Não fazem parte do rastreio de rotina; uso em situações específicas.

Gorduras

Perfil lipídico
Colesterol total, HDL ("bom"), LDL ("ruim"), não-HDL e triglicérides. Base do cálculo de risco cardiovascular. A partir dos 20 anos, a cada 5 anos se normal.

Rins

Creatinina e taxa de filtração glomerular
A creatinina sobe quando os rins filtram menos; a TFG estimada traduz isso em "quanto o rim funciona". Anual para quem tem diabetes ou hipertensão.
Ureia
Sobe com função renal reduzida, desidratação e dieta rica em proteína. Menos específica que a creatinina.
Albuminúria (urina)
Perda de proteína pela urina é o sinal mais precoce de dano renal em diabéticos e hipertensos.

Fígado

TGO (AST) e TGP (ALT)
Enzimas que vazam quando células do fígado sofrem: gordura no fígado, álcool, medicamentos, hepatites. TGP é a mais específica do fígado; TGO também sobe com músculo e coração.
GGT
Sensível ao álcool e a problemas das vias biliares. Isolada e pouco elevada, raramente significa doença.
Bilirrubinas e fosfatase alcalina
Avaliam vias biliares e metabolismo da bilirrubina. Bilirrubina levemente alta em jejum longo é comum (síndrome de Gilbert, benigna).

Tireoide

TSH
Hormônio da hipófise que comanda a tireoide. Alto sugere tireoide preguiçosa (hipotireoidismo); baixo, acelerada (hipertireoidismo). Primeiro exame a pedir; o T4 livre vem depois.

Nutrientes e outros

Ferritina e ferro
Reserva de ferro. Baixa explica anemia e cansaço; muito alta aparece em inflamação, doença hepática e hemocromatose.
Vitamina B12
Baixa em vegetarianos estritos, idosos, usuários crônicos de metformina ou omeprazol, e em doenças do estômago. Causa anemia e sintomas neurológicos.
Vitamina D (25-OH)
Reserva de vitamina D. Indicada em grupos de risco, não como rotina para todos.
Ácido úrico
Alto em gota, dieta rica em carne e álcool, e doença renal. Elevação sem sintoma costuma não exigir tratamento.
Proteína C reativa (PCR)
Marcador de inflamação. A versão ultrassensível entra em algumas avaliações de risco cardiovascular; a comum sobe em infecções.
Sorologias
HIV, sífilis, hepatites B e C: ao menos uma vez na vida adulta e conforme exposição. São rastreio, com confirmação quando reagentes.

Como esses exames se combinam

O valor dos exames está na combinação. Glicemia alta, triglicérides altos, HDL baixo e cintura aumentada formam a síndrome metabólica. Creatinina normal com albuminúria positiva já é dano renal inicial. TGP alta com triglicérides altos e sobrepeso aponta gordura no fígado. Hemoglobina baixa com ferritina baixa é anemia por falta de ferro; com ferritina alta, outra coisa. É por isso que o laudo vai para o médico inteiro, e não exame por exame.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre exame de rotina e exame de rastreamento?

Rastreamento é o exame com evidência de benefício em quem não tem sintoma, numa idade e frequência definidas (glicemia aos 45, mamografia aos 50). 'Rotina' é um termo informal para o que costuma ser pedido no check-up; parte disso é rastreamento com evidência, parte é hábito. O guia de check-up por idade separa os dois.

Um painel de 50 exames é melhor que um de 10?

Não. Mais exames em quem não tem sintoma produzem mais resultados fora da faixa por acaso (cerca de 5% por exame), mais ansiedade e mais exames em cascata, sem benefício comprovado. O painel certo é o que responde às perguntas da sua história.

Fontes

  1. SBPC/ML · Sociedade Brasileira de Patologia Clínica / Medicina Laboratorial · SBPC/ML
  2. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes · Diagnóstico · SBD
  3. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose (SBC) · Sociedade Brasileira de Cardiologia
  4. Sociedade Brasileira de Nefrologia · Doença renal crônica · SBN
  5. SBEM · Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia · SBEM